O que o Pico Paraná nos ensinou sobre comunicação


Amigos,

Passados pouco mais de seis meses desde o acidente no Monte Rinjani que tirou a vida de Juliana Marins, a comunidade de montanhismo assistiu ao desfecho de um novo caso de negligência. Este último, felizmente, sem vítimas fatais.

Roberto Farias Thomaz, 19 anos, técnico em segurança do trabalho e bombeiro civil, havia desaparecido na manhã do dia 1º de janeiro de 2026 ao retornar do Pico Paraná. Ele teria passado mal durante a aventura.


Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), órgão responsável pela administração, o Parque Estadual Pico Paraná (PEPP) estava fechado para visitação no momento em que Roberto subiu. Ele não fez o cadastro obrigatório na base.

Com Roberto estava a manauara Thayane Smith. A moça acabou sendo acusada de abandono ao apertar o passo e deixar o amigo para trás com estranhos que corriam pela trilha.

Outro envolvido é Fabio Sieg Martins, analista jurídico e montanhista experiente, que conheceu Roberto e Thayane no acampamento A1 e teve participação direta no evento.

Até o momento, Fábio publicou dois vídeos no YouTube. No primeiro, apresentou a sua versão. Com base nesse e em outros relatos, iremos focar naquilo que este blog se propõe a tratar: a radiocomunicação como equipamento indispensável para atividades em áreas remotas.


Comunicação precária

No vídeo publicado, Fábio afirma que, durante a crise, a instabilidade do sinal de celular dificultou a ligação para o Corpo de Bombeiros, realizada a muito custo. Como alternativa, decidiram abordar quem caminhasse em direção à entrada do parque para levar a mensagem de emergência até lá.

Sem comunicação, Fábio e Thayane deixaram uma blusa amarrada entre os acampamentos A1 e A2, na subida dos grampos, para sinalizar a Roberto caso ele retornasse do vale do Rio Cacatu, enquanto os dois seguiam juntos para o Pico Camelos a fim de vasculhar a área. Foi durante essa busca que Thayane se separou novamente, levando consigo o único celular que a dupla portava — a fala do analista sugere que os demais aparelhos ficaram na barraca: não eram úteis pela falta de cobertura?

Fábio também comenta sobre a dificuldade do uso de apito no vale. Segundo ele, devido às características do relevo, as ondas sonoras não se propagam bem.


Qual é o problema?

Equipes de busca e resgate atuavam em solo enquanto um helicóptero equipado com sensor térmico fazia a varredura pelo ar. Sem sucesso. No entanto, o que assusta mesmo é o fato de ninguém estar falando daquilo que poderia ter encurtado essa história: a radiocomunicação descomplicada, barata e acessível!

Talvez a falta de informação, ou a divulgação de dados incorretos, leve o aventureiro brasileiro a dar pouca ou nenhuma importância ao radiocomunicador convencional. A consequência está aí.

O perfil de elevação do cenário apresenta condições favoráveis para a transmissão. A partir de uma aeronave, o alcance seria ainda maior. Quem é radioamador ou especialista na área fica atônito com a ausência desse recurso em pleno século 21.


Parque Estadual Pico Paraná: visada


Parque Estadual Pico Paraná: perfil de elevação para transmissão


A falta do radiocomunicador foi crucial para o desencontro das partes, atrasou o resgate das equipes e expôs voluntários a riscos desnecessários. Até quando? O que estamos esperando? É preciso estimular o seu uso correto.


Em sintonia para atender e ser atendido

A Radiocomunicação de Uso Geral é o serviço de entrada disponível para todo cidadão, e o equipamento transmissor é um item que não pode faltar na mochila.

As leis e as normas da Anatel existem para a nossa segurança. A agência define os canais certos para transmissão livre e segura sem burocracia.

Há bons modelos de rádios no mercado brasileiro, homologados e devidamente programados.

Em emergência, o Protocolo de Áreas Remotas (ver Manual do Rádio) deve ser executado tendo em vista o equilíbrio entre bateria e a possibilidade de contato.

Por outro lado, o uso de produtos chineses importados e incompatíveis prejudica a formação de uma rede responsiva de atendimento mútuo no Brasil.


Baixe já!

O Manual do Rádio é um aplicativo de consulta rápida para que você possa aprender a usar o seu equipamento da melhor forma possível!




Já o Manual do Serviço de Radiocomunicação é uma introdução para quem deseja saber mais e conhecer outros serviços disponíveis, como o Serviço de Radioamador.




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Qualquer dúvida, entre em contato!

Marcio Grassi Salvatti


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Imagens ilustrativas: Gemini 3 Pro