O perigo invisível dos sites gerados por IA na radiocomunicação


Amigos,

Precisamos conversar seriamente sobre o impacto da inteligência artificial em nosso hobby e serviço de radiocomunicação.

Procedimentos equivocados sobre emergência, divulgação de canal restrito ou fora de alcance, promessa de contato sem planejamento. Estes são apenas alguns dos problemas encontrados.

É preocupante o surgimento de sites e aplicativos criados inteiramente por IA sem qualquer revisão técnica, respeito aos direitos autorais ou conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Quase sempre, são plataformas cujo único objetivo é a obtenção de renda fácil e rápida sem compromisso com a ética e a segurança. Para isso, recorre-se ao vibe coding, uma abordagem rudimentar de desenvolvimento que se torna extremamente arriscada para sistemas complexos, pois negligencia testes essenciais e descarta a documentação do processo.

Ao acessar um volume gigantesco de informações disponíveis na internet, as ferramentas de IA generativa cruzam desde material livre até obras com direitos reservados. Por essa razão, a supervisão humana é indispensável: cabe ao usuário filtrar o conteúdo gerado, identificando o que está correto, é de domínio público e o que exige autorização prévia e atribuição de fonte. Mesmo o olhar mais atento, ainda pode deixar algo passar.


Cópia de programas


A imagem abaixo mostra a tela de dois aplicativos web. O da esquerda é o nosso Manual do Radioamador lançado há mais de um ano por PU2TSL (a versão 2.0 remodelada está a caminho, aguardem!). O da direita mostra uma solução recente, sem autoria declarada, com fortes indícios de cópia e inteiramente gerada por IA. Repare nas setas: que indicativo é exibido no placeholder dos campos de ambos os lados?


Plágio ou cópia acidental?


Obviamente, não se busca aqui reivindicar a propriedade exclusiva de um sistema de consulta de indicativos, pois é natural que muitas alternativas similares sejam lançadas por amigos radioamadores. Contudo, nota-se a falta de freios: copia-se até o logotipo, como observado em um outro caso. O agravante fica por conta da manipulação indiscriminada de dados que, embora públicos, são sensíveis, como número de Fistel, CPF parcial e nome completo dos titulares de licenças.


Plágio disfarçado e cópia acidental


  • Plágio disfarçado: Ocorre quando a inteligência artificial é utilizada intencionalmente para parafrasear uma obra específica com o objetivo de ocultar a fonte original.
  • Cópia acidental: Acontece quando o usuário solicita à IA um texto sobre determinado tema e publica o resultado sem saber ou checar que trechos de terceiros foram reproduzidos.

Em nenhuma das duas situações há emprego de esforço intelectual genuíno por parte de quem utilizou a IA. Projetos sérios como o Radiocomunicador.com, mantidos com base em pesquisa rigorosa, testes em campo e investimento financeiro, acabam desestimulados a continuar ao serem prejudicados por essas práticas parasitárias.


PISA 2025 faz alerta


O último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) coordenado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) concluiu que a IA prejudicou os alunos que usaram a tecnologia sem moderação ou como substituta da atenção e do esforço pessoal.

Os alunos que afirmaram não ter usado IA para redigir textos para trabalhos escritos tiveram um desempenho melhor do que aqueles que disseram ter usado. Entre os usuários frequentes, no entanto, os alunos que usaram IA para auxiliar na aprendizagem e que receberam instruções sobre como avaliar a qualidade das informações geradas por IA tenderam a ter um desempenho melhor do que aqueles que não receberam essa orientação.


O uso excessivo da IA limita o pensamento crítico, mina a criatividade e desestimula a produção de obras inéditas.


Orientações contra o abuso


A inteligência artificial é ferramenta valiosa quando empregada com sabedoria. Eventuais cópias acidentais podem ocorrer onde não há dolo e caberá a nós a correção nesses casos. O verdadeiro problema reside no uso ilícito ou descontrolado dessa tecnologia.

Para continuarmos a publicar matérias novas, garantir o trabalho voluntário e promover a segurança de todos, sugerimos aos leitores: (1) não patrocinem, (2) não compartilhem e (3) não se cadastrem em plataformas cujos textos sejam criados integralmente por inteligência artificial.

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Forte 73!

Marcio Grassi Salvatti, PU2TSL


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Imagens ilustrativas: acervo pessoal