Emergência e Legislação

Caros amigos,
Este texto foi atualizado.
Tamanha foi a polêmica sobre a questão Emergência e Legislação que me sinto na obrigação de publicar uma versão mais completa e incisiva. A anterior, por falta de tempo, estava econômica demais e não cercou o problema como deveria.
Como eu dizia, sempre me perguntam sobre a possibilidade de pessoas não habilitadas utilizarem as faixas de radioamadorismo para a comunicação de emergências.
O entendimento do regulamento é este:
As faixas de radioamadorismo são destinadas a radioamadores. Uma pessoa não habilitada só poderá transmitir sob a supervisão do radioamador responsável pela estação operada (fonte).
Em emergência, há exceção para licenciados de outros serviços como o Serviço Limitado Móvel Aeronáutico ou o Serviço Limitado Móvel Marítimo (fonte).
Art. 183. Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação:Pena - detenção de dois a quatro anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, e multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
E mais:
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, direta ou indiretamente, concorrer para o crime.
Uma coisa por vez!
Atender ao pedido de socorro de clandestinos é uma decisão pessoal que envolve riscos. E um desses riscos é o trote. Nas faixas de radioamadorismo, é preciso se identificar como manda a legislação.
Sempre peça o indicativo de quem solicita ajuda, pois será mais fácil checar a origem do chamado quando o atendido for radioamador. Na posse do indicativo anunciado, você poderá buscar pistas sobre o titular da estação.
Excludente de Ilicitude
Apelar ao excludente de ilicitude é admitir a existência de restrição. Não se deve divulgar frequências restritas como se fossem "canais de emergência" livres para pessoas sem habilitação e sem supervisão, porque isso não é utilidade pública: é incentivo à clandestinidade e ao comportamento de risco.
Para alguns autores, o estado de necessidade não poderá ser evocado por quem provoca o perigo ou não procura evitá-lo. Assim, quem é negligente e conta com o uso indiscriminado do inciso I do Art. 23 do Código Penal (fonte), poderá sofrer as sanções do Art. 183 da Lei Geral de Telecomunicações.
O verdadeiro problema, portanto, é premeditar o uso ilegal. Ao planejar uma aventura, você não deve incluir na bagagem um rádio para o qual não tem permissão nem preparo. Quem está em segurança deve se instruir buscando habilitar-se e obter a licença de estação para o Serviço de Radioamador, ou então adquirir equipamentos de Radiocomunicação de Uso Geral, que são simples e dispensam autorização para transmissão.
Omissão de Socorro
Diante de consecutivos e comprovados trotes, o radioamador tem a opção de se manter em silêncio contra vândalos que buscam apenas atenção. Para todos os demais casos, o operador que captar um chamado de emergência deverá buscar orientação diretamente pelo 190 (Polícia Militar) ou 193 (Corpo de Bombeiros).
Prevenir para não remediar!
Somente o operador legalizado contribuirá para manter funcional a radiocomunicação brasileira. Legislação, ética e técnica existem para garantir a proteção de todos. Por outro lado, rádio nas mãos de gente sem licença ou condições de operá-lo é tragédia anunciada.
Siga as regras, ande na linha e garanta uma viagem tranquila:
- Mantenha-se próximo do sinal da operadora de celular;
- Contrate um serviço de comunicação via satélite;
- Utilize rádios que dispensam autorização;
- Habilite-se a radioamador e adquira uma licença de estação.
Por fim, é necessária a valorização, defesa e promoção do radioamadorismo. A comunicação de emergência é função precípua do radioamador.
Tornar-se radioamador é se formar e estar preparado para operar o rádio em cenário hostil, seja sozinho ou na presença de uma equipe multidisciplinar.
Forte 73!
Marcio Grassi Salvatti, PU2TSL.
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Imagens ilustrativas: Freepik.com
Bom. Pra ter alguma forma de comunicação numa trilha, pode-se usar, celular ou FRS ou PMR, conhecidos por talkabout.
ResponderExcluirEsse papo de rádio chinês pra falar longe não existe. Radioamador não é central de defesa civil pra dar suporte a trilheiros, jipeiros ou aventureiros.
O Radioamadorismo tem objetivo claro, comunicação e estudo técnico. O fato da alta disposição e boa vontade dos operadores não deve ser confundida.
A moda agora é o uso do VHF para congregar! Virou igreja. Um porre !
Estou observando e gravando tudo para uma denúncia formal.
Se não cuidarmos a bagunça ao vai piorar. No mundo de hoje todos querem ter razão.
O amigo traz um ponto importante. Radioamadorismo não é central de ajuda ou instituição de caridade, mas sim, hobby técnico-científico com mais de cem anos de tradição.
ExcluirEsta tem sido a apresentação do projeto Rádio Na Trilha. Convidamos praticantes de atividades ao ar livre para conhecer esse universo da experimentação e desenvolvimento em comunicação. A comunicação de emergência tem sentido, apenas, enquanto parte desse todo e é matéria de prova para ingresso na Classe C.
Tem dado muito certo. A maioria dos aventureiros hoje habilitados estudam, constroem a própria antena e investem em equipamentos avançados porque desejam saber mais. Buscam novas fronteiras, praticam SOTA, POTA e incentivam outros. Eu sou um desses.